Eis que se avizinha uma assessoria de imprensa das coisas inúteis. Pera lá: inúteis não. Ilustrativas, isso sim, do absurdo da condição humana. Pois muito que bem: graças a um time de colaboradores abnegados, essa nova empresa de comunicação inova e oferece à sua clientela o clipping com atitude.
Conceito já incorporado à realidade empreendedora de mercados avançados, o produto busca a essência da fenda informativa: o (quase) nada faz-se objeto de disputas no campo do simbólico. No farofal digital, só entra no clipping com atitude quem é protagonista da própria história, quem adota para si a postura “vai, passarinho”, sem amarras. Carla Perez, sempre matriz das causas justas (e também das calças justas).
Cases já clássicos estabeleceram todo um know-how do clipping com atitude.
Ana Vládia, uma brasileira
Na ausência de informação relevante em uma página institucional, revelamos todo um caso de assédio moral. Chefe mal-amado(a) humilha publicamente pobre estagiária, até na URL da página:
Ana Vládia, pobre de você. Mesmo depois do lançamento da campanha mundial Força, Ana Vládia (só falta o apoio do Al Gore), continua sofrendo achaques e pressões de uma diretoria desumana. Para reforçar mossa MONÇÃO de apoio (sério, vi escrito assim dia desses), seguem trechos do manifesto da campanha de solidariedade, com direito a arrecadação de donativos, e de colaboradores engajados:
O que é a escalada do assédio moral nas instituições, não é mesmo? Todos conhecemos (ou vivemos) algum caso. Eu, que jurava já ter algum conhecimento de causa, dei de cara com uma nova modalidade de assédio, mix de divulgação institucional com a mais pura síndrome obsessiva da obesessão.
Me solidarizando com a execração pública sofrida pela póbi, resolve lançar a campanha Força, Ana Vládia, com foco na responsabilidade sócio-ambiental, na ressocialização e no combate à exploração abusiva da força de trabalho.
Naia: Ana Vládia, como nós, é mais uma vítima desse sistema injusto, opressor e nenhum pouco olho no olho. Estamos dispostos a colaborar com a campanha, mas não com donativos, quer dizer, serve uma blusa da Cantão desbotada?
Lucy: Por um mundo melhor, mais humano e com sua lubricidade respeitada pelo poder público: - Força, Ana Vládia!
Dias depois, a MEAC ainda fez uma festa:
“Durante a festa foram distribuídas lembrancinhas personalizadas a cada uma das homenageadas. Nesta oportunidade registramos nossos votos de muitas felicidades a todas as homenageadas. Informamos que em junho estaremos comemorando os aniversários do período referente aos meses de maio e junho”.
Ana Vládia, imagino a cena, encostada num canto, sendo alvo de chacotas e campanhas demagógicas.
No âmago dos movimentos populares. É onde pontifica o clipping com atitude. Ana Vládia que o diga.
Lubricidade no aeroporto
E nos aeroportos, para além das obsessivas greves de controladores e visões do inferno em saguões, há muita vida, sangue nas veias, lubricidade.
Bartô, você sempre “por cima”.
Te cuida, Florinda Bolkan
E o caso Ruth Romcy, como descrever? Fontes confiáveis garantem que, durante sua passagem vulcânica pelo Pânico na TV, a Helen Mirren tupiniquim, e precursora dos reality shows com sua presença em Topa Tudo Por Dinheiro, fez revelação bombástica:
- Sou de Fortaleza!
Esse sobrenome, sempre desconfiei que tivesse algo a ver com a massa falida daquele magazine.
Mais orgulho sentimos ao nos dar conta de que, sim, Ruth Romcy está no IMDB. Estrela!
Quase na mesma faixa de idade (e graça), eis que nos surge ela, a Donatela Versace brasileira. Sim, a sempre relevante Angela Bismarchi repudia as insinuações mentirosas quanto ao manejo do próprio corpo:
Gente, tudo é uma questão de INTIMIDADE.
O homem que sabia demais
A política é dinâmica, assim como os projetos gráficos de jornais. E quando alguém consegue ver o quanto nossos caciques estão perto das reformulações gráficas dos nossos periódicos?
Se sabe ou não, dúvida. Mas é o antonioflorestan que sabe tudo!
E detalhe que teve gente apelidando o caderno especial de lançamento do novo projeto de “O Caô Criador”!
Sem mais, meu povo. Porque eu ainda não sei tudo. E porque eu ainda sobrevivo fazendo clipping tradicional!