Archive for the ‘hollywood’ Category

hello, oscar?

Sexta-feira, Fevereiro 22nd, 2008

tilda_swinton.jpg

Porque fui convidado a participar de um bolão do Oscar, relaciono abaixo minhas apostas. Muitas são chutes, bom dizer. Mas há um prêmio bacana me aguardando lá na frente, caso eu acerte - algo mais para Ratatouille do que para uma estatueta dourada.

Fingers crossed principalmente para Tilda Swinton (foto), que está
superbe, flawless e tudo o mais em Conduta de Risco.

E para ”Falling Slowly”, a linda canção de Once que periga ser a nova “Save Me” na vida de muita gente:

Bom, pelo menos na minha.

Edição
Ultimato Bourne
Fotografia
Roger Deakins, Jesse James
Trilha Sonora Original
Dario Marianelli, Desejo e Reparação
Canção Original
“Falling Slowly” - Once
Filme de Animação
Ratatouille
Filme Estrangeiro
The Counterfeiters
Roteiro Adaptado
PTA, Sangue Negro
Roteiro Original
Diablo Cody, Juno
Atriz Coadjuvante
Tilda Swinton - Conduta de Risco
Ator Coadjuvante
Javier Bardem - OOFNTV*
Atriz
Julie Christie - Longe Dela
Ator
Daniel Day-Lewis - Sangue Negro
Filme
OOFNTV
Diretor
Irmãos Coen - OOFNTV

*Onde os Fracos Não Têm Vez

E ano que vem, Ask to Quit promete bombar.

Toque de mídias

Domingo, Abril 22nd, 2007
Então. Passando o pano neste blog, e me rindo com presenças amigas, apareço pra dar um alô. Esses foram dias de mídia espontânea bombando forte, será que eu preciso de um assessor de imprensa? ;) A sério: ao folhear despreocupadamente uma revista ou um folder, ou mesmo assistir à TV, você corre o risco de dar de cara comigo.

com fingimento.

sem fingimento.
revista plenário e livreto grupo edson queiroz.

Num passado recente, eu dava de aparecer em fotos de jornal. Desde lá, a vocação para papagaio de pirata se consolidou, e hoje até já concedo entrevistas para a tevê (pergunte-me como). Ainda que, para conseguir isso, tenha de repetir a resposta à pergunta da repórter. :(

Mas chega de auto-celebração. Bom mesmo é ser anônimo e poder se passar muito num paraíso litorâneo qualquer. Por obra e graça das fab four Ivs, Ju, Nat 20×25 e É-Manu, fui bater em Canoa Quebrada e queimei a língua total. Tinha o local em péssima conta, depois de anos a fio de histórias sobre carnavais, falta d’água e a reputação mauricinha do lugar.

A afamada Broadway é mesmo reduto de camisas Tommy Hilfiger e caixas de som troando forró, mas… quem se importa? Na companhia das citadas, e de uma (de cada vez) Heineken, lá fui eu ver qual era a desse lugar, uma espécie de Jeri a posteriori, com calçamento e tals.

outro nascer do sol que valeu. foto: rafael rodrigues

aqui é majorlândia, que funcionou mais como um chill out de canoa. esperando pelas fotos da máquina de ívila.

Bem, perfume forte de multiculturalismo e além. Confusão de sons e líquidos, bebida gelada, de vez em quando, mas vários achados. Não ter vergonha de dançar no Caverna (éramos os únicos), dar uma escapulida até a No Name (rápida, dado o clima bas-fond do lugar), descer a falésia rumo a uma festa de reggae (e dá vontade de estar lá mesmo!). Ver o tempo passar rapidinho.

Pra, claro, ver um nascer do sol muito do bacana. E ver que Canoa podia ser a Califórnia. Ou Saint Tropez. Apenas a duas horas daqui.

Vão lá. Mas o façam se estiverem em clima de “vexame, tô nem aí”. Caso contrário Canoa será só uma balada barulhenta e crowded.

(…)

Mas sim, eis que me chega agora um update de última hora. O que o é investir na paródia da paródia, não é mesmo? Será que Alanis gostou dessa?

no drama.

(…)

e o que é mesmo a orgia visual de Maria Antonieta? Com direito a All Star aparecendo entre os sapatos de época?

Um bom ano

Sábado, Fevereiro 17th, 2007

Ingressos, lanches, amigos, cadeiras, trailers, DVDs-R (abafa), ação! Bem que nossa vida podia ser essa, apenas. Bem, tenho tentado fazer da minha algo perto disso. Dentro da sala de projeção e na frente do aparelho de DVD o máximo de tempo possível. (E sem pensar nas implicações dessa atitude como fuga ou sublimação.)

O preço dos ingressos ajuda (gente, a sessão família do Iguatemi faz parecer que estamos no São Luiz dos anos 90), e a safra também. A temporada de premiações tá aí e, querendo ou não, temos um zum-zum (uma coisa Zoeira) em torno dos filmes que nos faz acorrer aos cinemas.

É uma rotina que não me cansa. E que merece registro, por meio das melhores coisas vistas ultimamente.

a lei do desejo. Abrindo bem (ops) os trabalhos da sala Benjamin Abraão, da Casa Amarela, O que fiz eu para merecer isto?, de Pedro Almodóvar. Esse longa chocou, como convém a toda produção dele nos 80s, mas mostrou lampejos de sua tão incensada fase adulta. Do meio pro fim, as desventuras da família comandada por Carmen Maura convergem em direção a um tom reflexivo e a resoluções que passam ao largo do bizarro, tão presente no início do filme. O espanhol não merece quando dizem que ele “amadureceu” só depois de Carne Trêmula e tal.

as jóias da coroa. Gente, o que pode ter de engraçado na dramatização de um momento crítico da monarquia britânica? Várias coisas, pelo menos na visão arejada e pouco dogmática do diretor Stephen Frears (Os Imorais). Mas, ainda assim, é nos sofrimentos contidos e na confusão mental de Elizabeth II (uma atuação paranormal de Helen Mirren), que este A Rainha encontra sua voz. Atenção à boa atuação de Michael Sheen como Tony Blair.

helen mirren reina. trailer de a rainha

o sol é para todos. Que grande família, que nada. Em termos de desajustes domésticos, já elegi meus favoritos: os sem-sobrenome e sem juízo (ou seria juízo em excesso) de Pequena Miss Sunshine. Num daqueles inesquecíveis road movies, eles celebram os excessos e as licenças só permitidos em família. Dos diálogos às atuações, nada é menos que brilhante. É o que é melhor: a lição de moral fica discretamente aninhada entre o absurdo, a verdade e o bom humor.

Ah, o filme volta aos cinemas de Fortaleza a partir desta terça-feira (20), no North Shopping, e até o início de março no UCI.

uma das (várias) grandes cenas de sunshine. “wow, olive, your getting big. almost like a… real person”

entre quatro paredes. Elegância no roteiro, insights na trilha sonora, segurança no trabalho de câmera, leveza e densidade nas atuações. Tudo isso e muito mais figuram na mais recente empreitada do diretor/roteirista Todd Field, Pecados �ntimos. Numa pequena cidade dos EUA, casos abafados, sussuros de culpa e execração pública imersa em hipocrisia alinhavam o cotidiano de um grupo de moradores.

Field opta por um registro romanceado, quase novelesco, com uma God´s voice comentando os fatos. Mais um elemento que dinamiza essa trama cheia de respeito por detalhes mínimos de uma rotina suburbana e descolorida - como explicar o tom épico impresso a uma simples compra de um maiô? Cada novo dado importante nesse universo de preocupações pequenas é exposto no filme de forma a mostrar o despreparo de seus protagonistas em lidar com seus destinos.

Kate Winslet reafirma a grande fase em que está (ela é a verdadeira jóia de O Amor Não Tira Férias) interpretando Sarah Pierce, casada, infeliz, versada em literatura inglesa e que se revela saidinha demais para os padrões da quiet town em que aportou. Sotaque americano impecável, humor e vulnerabilidade em boas medidas, ela tem uma de suas melhores atuações. Patrick Wilson, na pele de um dono-de-casa paspalho, responde bem, mas a dupla acaba ofuscada por Jackie Earle Haley e Phyllis Sommerville (filho pedófilo e mãe comiseradora). Todos pequenas crianças, na acepção do título original do filme.

o fantástico trailer de pecados. o único defeito é que ele, de fato, só contempla uns 30% das informações do filme!

Um bom saldo para um ano que mal começou. ;)

“tá bom, então eu sou a rainha da inglaterra”

Quinta-feira, Janeiro 18th, 2007
Nos comentários de Olha Só, no melhor clima do Oscar:

“Dizemos sempre que o Oscar e afins cada vez mais premiam os Melhores Imitadores de Personalidades, e não os Melhores Atores. ah, se o Tom Cavalcante trabalhasse em Hollywood”.

“O João Kléber também teve sua época de imitador. Era quase bom. Mas será que alguém poderia ganhar um Oscar interpretando o Silvio Santos? Seria engraçado”.

:)

Não ganha Oscar, mas ensina um bolo de fubá que é uma beleza. Acorda, menina!

Tom, à la Leonardo di Caprio, iria disputar consigo mesmo, pelas imitações de Ana Maria Braga e Roberto Justus.

Ah, não é por nada, mas ela tem um quê de Aracy Balabanian em Sai de Baixo, né não?

Helen Mirren, ou Rainha, p*ta com a concorrência de outra grisalha, arquiteta planos cruéis, alguns deles com a participação de 007 (que ele tá em alta de novo). “Quero que essa Ana Maria tenha o mesmo fim de Lady Di!”

Papo sado

Quarta-feira, Janeiro 17th, 2007
Até que dava valor aos textos de Roberto Sadovski na Set. Hoje, a relação custo-benefício e a insistência em abordar coisas pop com superficialidade me afastaram da referida publicação. Mas o Sadovski anda por perto. Hoje mesmo, aflito que estava para debater algumas impressões sobre o Globo de Ouro 2007, encontrei o cara dando sopa num bate-papo da UOL.

Devidamente munido de meu nick “idi amin” (uma homenagem ao provável vencedor do Oscar de ator, Forrest Whitaker, e seu personagem em O Último Rei da Escócia), fui tentar conversar com o cara - que, salvo engano, ainda é o diretor de redação da revista.

Ele deu conta do recado e ainda soltou umas farpas bacanas. A elas:

Ele despreza Almodovar!
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Framboesa para Luana
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Assumindo o lado pipoca
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E, por fim, a resposta lacônica à minha humilde questão
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Direto da fábrica

Domingo, Janeiro 14th, 2007
As cores das pinturas de Andy Warhol já estavam desbotando de tanto esperar pela chegada de Factory Girl, longa baseado na relação entre Andy Warhol e a bela socialite Edie Sedgwick.

Rolou um estresse para que o filme fosse finalizado a tempo de se qualificar para a disputa dos Oscar deste ano de 2007. Estúdio e distribuidora colocam fichas na ascendente Sienna Miller, que, pode até não estar digna de estatueta, mas está linda, linda, linda no trailer do referido filme - confira abaixo.

E o trailer, para um filme que ganhou mais espaço na press pelo fato de estar sendo finalizado às pressas do que pela trama, esbanja ritmo e substância dramática.

Sienna, a bela: com mais chances no Oscar que o ex, Jude LawAinda que Factory Girl não dê em nada, ao menos pode-se louvar a iniciativa dos idealizadores em levar às telas uma abordagem original de uma biografia célebre. Será menos uma daquelas coincidências inacreditáveis de Hollywood, que faz chegar às telas, em espaços de meses, filmes gêmeos como O Show de Truman e EdTV, ou, mais recentemente, Capote e Infamous.

Há algum tempo, chegou às telas Um Tiro para Andy Warhol, que, à semelhança deste Factory, mostra a relação de Warhol com uma mulher, no caso, uma feminista que tenta matá-lo. Ele ainda não “foi vítima” de uma biografia linear e convencional. Por hora, agradecemos.

Factory Girl, o trailer

O supremo que não cabe na tela

Domingo, Novembro 19th, 2006
Brasilândia e Detroit: mais próximas do que se imagina

Temos nossas Supremes, Garotas cantoras, afinadas, com jogo de cintura para mais do que um número de dança. Negras, periféricas, foram parar no cinema por obra e graça da cineasta Tata Amaral (Um Céu de Estrelas). Antes, contudo, ganham teaser na maior de nossas emissoras de tevê, numa microssérie levantada por ninguém menos que Fernando Meirelles (Cidade de Deus).

Justiça seja feita. Antônia, a tal série, chocou geral com seu apuro técnico, boas interpretações (de não-atrizes, incluindo aí a cantora Sandra de Sá) e um roteiro esperto.Com esse trailer de luxo, Antônia deve fazer boa carreira nas telas.

Sucesso equivalente se espera de um filme com pano de fundo idêntico. Girl power, eqüidade racial e ascenção social, tais quais mantras universais, aparecem também em Dreamgirls, filme que marca a estréia da cantora Beyoncé Knowles como protagonista no cinema.

Numa periferia de Detroit, nos EUA, três garotas fazem o mesmo percurso em busca de um lugar na ribalta. Lá como cá, essa história também foi apropriada, por gigantes do audiovisual, e em breve estréia sob a batuta de Bill Condon (Kinsey - Vamos Falar de Sexo).

A cantora coloca sua tanajurice a serviço de uma caracterização de uma Diana Ross fictícia, e suas partners in crime do grupo Supremes.

A derrière de Beyoncé traz outro dado importante. Periferia é glamour. Aqui e lá. Regina Casé descobriu isso cedo e hoje, estágio avançado, mapeia as periferias do mundo em busca da essência do ser pobre e assalariado. Já reparou que, num esboço do que seria essa substância, sempre há sorrisos no rosto, música, festa e irreverência, ainda que a existência miserável suba pelas canelas em forma de doenças e necessidades?

Glamour e anteparo estético, em última instância. A periferia, contudo, clama por muito mais. Entender essa complexidade é carência até mesmo em produções como Antônia, cuja bacanice é patrocinada por terceiros, por olhos providos de consciência social mas externos àquela(s) realidade(s).

Bem intencionados, demais até, talvez por isso omissos a alguns aspectos, práticas, comportamentos que recompõem esse personagem meio sem rosto - o morador de periferia. Nem tudo cabe na ilha de edição, na p&b bacana e na estética de videoclipe.

Espera-se caber mais nas cabeças realizadoras de nosso cinema e tevê, ao menos. As mesmas que pagam colégio aos não-atores que recrutam para suas produções, por desencargo de consciência.

Jamais donos de suas próprias histórias, esses seres plurais ainda não ganharam sua tradução definitva. Ou ao menos a própria tradução. Que os olhares sobre essas pessoas - ainda que sejam aqueles da classe média encastelada em edifícios - ajudem a lhes dar a autonomia necessária para a escrita, de próprio punho, desses registros.

“Antônia brilha…”. Première no Fantástico (com perdão por Glória Maria)

“All you have to do is dream”, trailer de Dreamgirls

Entre quatro paredes

Terça-feira, Outubro 24th, 2006

(Esperando para gravar um VCD de Plano de Vôo…)

'Filha, não vá lá fora, está frio!'A antítese da mulher “espaçosa”. Sem segundo turno, é rainha na kitinete. Esse é o provável veredito de quem assiste à jovem senhora Jodie Foster pilotando as angustiantes tramas de “Plano de Vôo” (Flightplan), “O Quarto do Pânico” (The Panic Room) e “Um Plano Perfeito” (Inside Man).

Filmes recentes da atriz/diretora, esses exemplares têm sua ação circunscrita a barreiras físicas bem delineadas, e contaram com roteiros espertos o suficiente para fazer desses pequenos espaços algo interessante numa Hollywood cada vez mais megalomaníaca em delírios digitais.

Vá lá que o avião de “Plano de Vôo” é praticamente um transatlântico. Mas ainda assim é espaço fechado. E, em “Plano Perfeito”, uma agência bancária é o centro da ação mas a Madeleine defendida por Jodie é da turma do camarote, que vê os lances acontecerem a uma distância segura (será?).

A verdade é que Jodie, depois de viajar no tempo, no espaço e diabo a quatro em filmes como o brilhante “Contato” (onde está Bob Zemeckis?), parece mais interessada em provar que uma casa, uma cabine de avião ou um edifício comercial são arenas tão ou mais legítimas para se lutar por uma boa causa.

Salvar o mundo? Só se for o mundo dela mesma.

E nem adianta. Eu paro mesmo pra ver esses filmes da moçoila. Obras nas quais ela desponta cada vez mais bela, digna e multidimensional.

Assim como ela, sou bem capaz de me trancar em casa. Eis minha boa causa.

Trailer de “O Quarto do Pânico”

O poderoso chefão

Segunda-feira, Setembro 4th, 2006
Há três lados em toda história. O meu, o seu e a verdade. E nenhum é falso. Memórias divididas servem a cada parte de forma diferente.

Robert Evans

Seduzir mulheres, executivos e platéias. Magnetizar segmentos tão distintos era tarefa cotidiana para o ator frustrado e produtor de cinema nada frustrado Robert Evans. Ofício que ocupava quase todas as 24 horas de seu dia. O tempo dispensado se revelou compensador: teve as companhias femininas que quis, deu gordos lucros a seus superiores e renovou o filme norte-americano, fazendo-o comunicar - com ousadia e verossimilhança - a novas fatias do público.

Evans surgiu para este signatário em pleno zapping na TV aberta numa noite de sexta-feira. Em imagens de arquivo bem-editadas, e memorável trilha sonora de época, o produtor era apresentado na cinebiografia “O Show Não Pode Parar” (The Kid Stays in The Picture”, 2002, EUA, 92 minutos). Na forma de um documentário narrado totalmente pelo próprio Evans, repassa-se não apenas seu legado fílmico, mas a consolidação de uma nova era, entre os anos 60 e 70, no cinema dos EUA.

Evans foi de ator canastrão a midas da indústria cinematográficaMeio que já tinha ouvido falar de Robert Evans. Sabia que o papel de Dustin Hoffman no bacaníssimo “Mera Coincidência” era uma caricatura do tal produtor (aliás, nos créditos de “O Show” Hoffman aparece imitando Evans). Achava, no entanto, que Evans era apenas um porra-louca alimentado pelo ciclo contracultural aspirado em terras americanas.

Bob Evans estava mais mais para um dândi com talento descomunal para persuadir. Não foi de outra forma que ele conseguiu, quase de uma hora para outra, apagar uma carreira discreta como ator e ex-vendedor de lingerie e passar a pilotar a criação de novos projetos na Paramount Pictures - empresa que amargava o nono lugar dentre os estúdios de Hollywood, esta imersa em crise geral devido à queda de renda dos filmes.

Ao tempo em que tirou da fossa a empregadora, Evans foi se tornando referência obrigatória nos caderninhos de telefone de senhoritas e senhoras de Los Angeles, embora fosse um workaholic inveterado.

Ele conciliou tanto hits de apelo popular - como “Love Story”, aquele da famigerada frase “amar é nunca ter que pedir perdão” - com pedras fundamentais do que se pode considerar cinema novo americano: “O Poderoso Chefão” (1972), “O Bebê de Rosemary” (1968) e “Chinatown” (1974).

Até ali, a bilheteria de Hollywood era garantida por musicais e dramas edificantes.

Seu estilo de trabalhar era não linear e imprevisível. Se fundava em intuição apurada e ousadias. Desde dar carta branca a Roman Polanski - então apenas um desconhecido polonês - para dirigir “Rosemary”, a apostar as fichas num projeto como “Chinatown”, tido e havido como ininteligível e infilmável em Hollywood.

Por Coppola, passou como um trator, após ter sido esnobado pelo diretor de origem italiana que imaginava à frente de “O Poderoso Chefão”. O copião inicial do épico mafioso foi implacavelmente detonado por Evans, que queria - pasmem - uma hora a mais de projeção no longa.

Em 'O Show Não Pode Parar', o produtor não foge de episódios constrangedores“Volte e me traga uma saga familiar!”, disparou.

A exigência e as idiossincrasias de Evans fizeram a diferença no cinema dos anos 70. Basta somar as indicações a Oscar, Globo de Ouro e outras premiações obtidas pelos filmes que idealizou, ao reconhecimento, amplo e atemporal, dado a essas obras.

Ia tudo muito bem com o garoto de ouro da indústria cinematográfica até afundar seu casamento com a bela Ali McGraw, estrela de “Love Story”. Lá pelos anos 80, cedeu a más influências e viciou-se em cocaína, chegando ao cúmulo de ter de fugir de uma clínica de reabilitação. Tudo isso é contado por ele, no documentário, como quem se reporta a um bom amigo.

Nos anos 90. ensaiou um ressurgimento, mas oscilou entre a bobagem e o descartável. Produziu filmes como “Invasão de privacidade”, “O Santo” e mais recentemente “Como Perder um Homem em 10 Dias”.

Ainda que sem o brilhantismo de outrora, Evans ficou para contar a história. Ficou na história. Além do que tornou muito melhor minha última noite de sexta-feira!