o dinheiro não compra
Sábado, Fevereiro 17th, 2007It’s only rock and roll, but I like it.
It’s only rock and roll, but I like it.
Ingressos, lanches, amigos, cadeiras, trailers, DVDs-R (abafa), ação! Bem que nossa vida podia ser essa, apenas. Bem, tenho tentado fazer da minha algo perto disso. Dentro da sala de projeção e na frente do aparelho de DVD o máximo de tempo possÃvel. (E sem pensar nas implicações dessa atitude como fuga ou sublimação.)
O preço dos ingressos ajuda (gente, a sessão famÃlia do Iguatemi faz parecer que estamos no São Luiz dos anos 90), e a safra também. A temporada de premiações tá aà e, querendo ou não, temos um zum-zum (uma coisa Zoeira) em torno dos filmes que nos faz acorrer aos cinemas.
É uma rotina que não me cansa. E que merece registro, por meio das melhores coisas vistas ultimamente.
a lei do desejo. Abrindo bem (ops) os trabalhos da sala Benjamin Abraão, da Casa Amarela, O que fiz eu para merecer isto?, de Pedro Almodóvar. Esse longa chocou, como convém a toda produção dele nos 80s, mas mostrou lampejos de sua tão incensada fase adulta. Do meio pro fim, as desventuras da famÃlia comandada por Carmen Maura convergem em direção a um tom reflexivo e a resoluções que passam ao largo do bizarro, tão presente no inÃcio do filme. O espanhol não merece quando dizem que ele “amadureceu” só depois de Carne Trêmula e tal.
as jóias da coroa. Gente, o que pode ter de engraçado na dramatização de um momento crÃtico da monarquia britânica? Várias coisas, pelo menos na visão arejada e pouco dogmática do diretor Stephen Frears (Os Imorais). Mas, ainda assim, é nos sofrimentos contidos e na confusão mental de Elizabeth II (uma atuação paranormal de Helen Mirren), que este A Rainha encontra sua voz. Atenção à boa atuação de Michael Sheen como Tony Blair.
helen mirren reina. trailer de a rainha
o sol é para todos. Que grande famÃlia, que nada. Em termos de desajustes domésticos, já elegi meus favoritos: os sem-sobrenome e sem juÃzo (ou seria juÃzo em excesso) de Pequena Miss Sunshine. Num daqueles inesquecÃveis road movies, eles celebram os excessos e as licenças só permitidos em famÃlia. Dos diálogos à s atuações, nada é menos que brilhante. É o que é melhor: a lição de moral fica discretamente aninhada entre o absurdo, a verdade e o bom humor.
Ah, o filme volta aos cinemas de Fortaleza a partir desta terça-feira (20), no North Shopping, e até o inÃcio de março no UCI.
uma das (várias) grandes cenas de sunshine. “wow, olive, your getting big. almost like a… real person”
entre quatro paredes. Elegância no roteiro, insights na trilha sonora, segurança no trabalho de câmera, leveza e densidade nas atuações. Tudo isso e muito mais figuram na mais recente empreitada do diretor/roteirista Todd Field, Pecados �ntimos. Numa pequena cidade dos EUA, casos abafados, sussuros de culpa e execração pública imersa em hipocrisia alinhavam o cotidiano de um grupo de moradores.
Field opta por um registro romanceado, quase novelesco, com uma God´s voice comentando os fatos. Mais um elemento que dinamiza essa trama cheia de respeito por detalhes mÃnimos de uma rotina suburbana e descolorida - como explicar o tom épico impresso a uma simples compra de um maiô? Cada novo dado importante nesse universo de preocupações pequenas é exposto no filme de forma a mostrar o despreparo de seus protagonistas em lidar com seus destinos.
Kate Winslet reafirma a grande fase em que está (ela é a verdadeira jóia de O Amor Não Tira Férias) interpretando Sarah Pierce, casada, infeliz, versada em literatura inglesa e que se revela saidinha demais para os padrões da quiet town em que aportou. Sotaque americano impecável, humor e vulnerabilidade em boas medidas, ela tem uma de suas melhores atuações. Patrick Wilson, na pele de um dono-de-casa paspalho, responde bem, mas a dupla acaba ofuscada por Jackie Earle Haley e Phyllis Sommerville (filho pedófilo e mãe comiseradora). Todos pequenas crianças, na acepção do tÃtulo original do filme.
o fantástico trailer de pecados. o único defeito é que ele, de fato, só contempla uns 30% das informações do filme!
Um bom saldo para um ano que mal começou. ![]()
![]() ali larter, |
![]() ana hickmann, apresentadora |
![]() diana krall, |