de bem com a vida
Sexta-feira, Janeiro 19th, 2007



“Dizemos sempre que o Oscar e afins cada vez mais premiam os Melhores Imitadores de Personalidades, e não os Melhores Atores. ah, se o Tom Cavalcante trabalhasse em Hollywood”.
“O João Kléber também teve sua época de imitador. Era quase bom. Mas será que alguém poderia ganhar um Oscar interpretando o Silvio Santos? Seria engraçado”.

Tom, à la Leonardo di Caprio, iria disputar consigo mesmo, pelas imitações de Ana Maria Braga e Roberto Justus.

Helen Mirren, ou Rainha, p*ta com a concorrência de outra grisalha, arquiteta planos cruéis, alguns deles com a participação de 007 (que ele tá em alta de novo). “Quero que essa Ana Maria tenha o mesmo fim de Lady Di!”
Devidamente munido de meu nick “idi amin” (uma homenagem ao provável vencedor do Oscar de ator, Forrest Whitaker, e seu personagem em O Último Rei da Escócia), fui tentar conversar com o cara - que, salvo engano, ainda é o diretor de redação da revista.
Ele deu conta do recado e ainda soltou umas farpas bacanas. A elas:
Ele despreza Almodovar!

Framboesa para Luana

Assumindo o lado pipoca

E, por fim, a resposta lacônica à minha humilde questão

“Golden Skans”, acessível logo abaixo, é a maravilha audiovisual que ajuda a divulgar seu primeiro disco, Myths of Near Future, ainda inédito. Vai fazer muita festa bombar lá pelo Noise.
Golden Skans, The Klaxons
Mas não é que alguém logo descobriu a fonte inspiradora dos queridos de Lúcio Ribeiro? Haja purpurina.
Jackson 5, Can You Feel It
E que vença o melhor!
Rolou um estresse para que o filme fosse finalizado a tempo de se qualificar para a disputa dos Oscar deste ano de 2007. Estúdio e distribuidora colocam fichas na ascendente Sienna Miller, que, pode até não estar digna de estatueta, mas está linda, linda, linda no trailer do referido filme - confira abaixo.
E o trailer, para um filme que ganhou mais espaço na press pelo fato de estar sendo finalizado às pressas do que pela trama, esbanja ritmo e substância dramática.
Ainda que Factory Girl não dê em nada, ao menos pode-se louvar a iniciativa dos idealizadores em levar às telas uma abordagem original de uma biografia célebre. Será menos uma daquelas coincidências inacreditáveis de Hollywood, que faz chegar às telas, em espaços de meses, filmes gêmeos como O Show de Truman e EdTV, ou, mais recentemente, Capote e Infamous.
Há algum tempo, chegou às telas Um Tiro para Andy Warhol, que, à semelhança deste Factory, mostra a relação de Warhol com uma mulher, no caso, uma feminista que tenta matá-lo. Ele ainda não “foi vítima” de uma biografia linear e convencional. Por hora, agradecemos.
Factory Girl, o trailer
![]() amy lee, cantora (?) |
![]() tânia mara, cantora (?) |
Passou o tempo e aquele conselho da canção de Aimee Mann - wise up, tipo, amadureça ou sofra mais -, deve ter ficado guardado junto aos arquivos do terceiro semestre da graduação. Deveria ter ocorrido num pulo a transferências dessa aptidão retórica do papel para a oralidade, para um convívio cotidiano no qual opiniões costumam impressionar.
Qual nada. Me descobri como um tipo que mais escuta do que propriamente tem uma opinião. Na hora de expressar-me, embaraço. Hesitação. A melhor constatação, o melhor link, sempre surge minutos, dias depois. Minha memória jamais me ajuda nessas horas. Seja ao discutir com a família a reforma da casa; ao falar de um artista qualquer com um amigo no MSN; ao ter que se explicar quanto a um determinado gosto para um outro colega.
Concordar com o outro parece ser o mais cômodo nessas horas, ainda que denote uma determinada fadiga (ou desinteresse) argumentativa.
Seria tudo muito fácil se não surgisse a questão: será que a postura de gente como eu acabou por criar monstros? No melhor script “Efeito Borboleta” - cuja premissa é a de que o bater de asas de uma borboleta vai provocar algo efusivamente mais estrondoso mais adiante -, penso se o gesto de calar perante o outro passa por assentimento, concordância plena, adesão. Que dá cabimento a jorros cada vez maiores de teorias, opiniões, certezas. Resvalando em presunções de verdade.
Escuto tudo com a maior atenção, possivelmente com alguma inveja pela capacidade de articulação de idéias. Mas um pouco aliviado por não ser, naquele momento, o pólo incapaz de mudar de conceitos. Sim, o pouco de vida que vivi tem me feito constatar: opinião demais parece ser barreira ao novo. Ao outro, em último caso.
Daí porque meu déficit de memória me tem sido conveniente em certos casos. Contestar a ouvidos moucos me parece perder tempo.
Enfim. É claro que não chegarei a conclusão nenhuma aqui, sobre quem está certo ou errado. Por razões óbvias. Se tiver o privilégio, um dia pedirei pessoalmente desculpas à Aimee Mann por seguir tangenciando o mandamento do wise up. Bem longe de todos aqueles que insistem em ter sempre uma opinião a sacar do bolso.
Só para registro, eis minha primeira visão de 2007. Jericoacoara, alto da duna.