Archive for Outubro, 2006

Entre quatro paredes

Terça-feira, Outubro 24th, 2006

(Esperando para gravar um VCD de Plano de Vôo…)

'Filha, não vá lá fora, está frio!'A antítese da mulher “espaçosa”. Sem segundo turno, é rainha na kitinete. Esse é o provável veredito de quem assiste à jovem senhora Jodie Foster pilotando as angustiantes tramas de “Plano de Vôo” (Flightplan), “O Quarto do Pânico” (The Panic Room) e “Um Plano Perfeito” (Inside Man).

Filmes recentes da atriz/diretora, esses exemplares têm sua ação circunscrita a barreiras físicas bem delineadas, e contaram com roteiros espertos o suficiente para fazer desses pequenos espaços algo interessante numa Hollywood cada vez mais megalomaníaca em delírios digitais.

Vá lá que o avião de “Plano de Vôo” é praticamente um transatlântico. Mas ainda assim é espaço fechado. E, em “Plano Perfeito”, uma agência bancária é o centro da ação mas a Madeleine defendida por Jodie é da turma do camarote, que vê os lances acontecerem a uma distância segura (será?).

A verdade é que Jodie, depois de viajar no tempo, no espaço e diabo a quatro em filmes como o brilhante “Contato” (onde está Bob Zemeckis?), parece mais interessada em provar que uma casa, uma cabine de avião ou um edifício comercial são arenas tão ou mais legítimas para se lutar por uma boa causa.

Salvar o mundo? Só se for o mundo dela mesma.

E nem adianta. Eu paro mesmo pra ver esses filmes da moçoila. Obras nas quais ela desponta cada vez mais bela, digna e multidimensional.

Assim como ela, sou bem capaz de me trancar em casa. Eis minha boa causa.

Trailer de “O Quarto do Pânico”

Asa desbotada

Sábado, Outubro 14th, 2006
asa_branca.jpg

A minha super hiper honey shoo shoo amiga Larissa, afiada como de praxe, discutiu com propriedade o fetichismo da mercadoria tendo como case a cansada “Asa Branca”, ícone de nordestinidade gasto pelo tempo (e pelo mau uso).

Ela explica como a música é a táboa de salvação de toda matéria televisiva que queira sustentar clichês sobre o povo de nossa região.

E não é que agora há pouco pude reconhecer um exemplar legítimo do VT que a Larissa descreveu?

Ingredientes:

- uma cidade pobre do interior de Pernambuco;
- crianças esforçadas e criativas, apesar da situação de miséria;
- um abnegado professor;
- e, claro, “Asa Branca” alinhavando tudo.

Só vendo!

Duelo

Quinta-feira, Outubro 12th, 2006

So it was weekend

Segunda-feira, Outubro 9th, 2006
desperta1.jpg
desperta2.jpg

Vai-se pra aula de inglês?

Sábado, Outubro 7th, 2006
miami_vaise.gif

Justo num jornal de Sobral, a mais americana de nossas cidades?

Fonte tipo zero (à esquerda)

Domingo, Outubro 1st, 2006
Orkut, a fonte tipo zero que você nunca verá naquela festinha.

Em algum lugar do passado, insinuando-se entre as linhas das matérias da nossa respeitável imprensa brazuca, lá está ele. Ele mesmo: “o mais famoso site de relacionamentos da internet”, “o mais visitado site de encontros” (ha!), ou aquela “rede de amizades virtuais”.

Orkut como tábua de salvação para matérias legais/de comportamento; para matérias “sérias” que precisam de uma “sensação” de “modernidade” ou um elemento de identificação para “o grande público”; para estimular o culto ao star system. Orkut como clichê, ao fim das contas.

É possível até bolar um simulador de matérias que tenham a tal rede como uma de suas fontes informativas. Algo que daria um resultado - facilmente reproduzível na cobertura de todo tipo de órgão de imprensa, do tablóide à revista de luxo - do tipo:

“A polêmica sobre (assunto) já ganhou a rede mundial de computadores (outra expressão, digamos, esgotada em seus propósitos). No site de relacionamentos Orkut, já há inúmeros grupos de usuários dedicados ao tema. A reportagem da(o) (veículo) contabilizou (número) comunidades sobre o assunto, a maioria delas (des)aprovando o comportamento do (protagonista do conflito em questão)

Não sei porque, mas tenho uma pulga atrás da orelha com esse lance de ter como fonte uma “entidade” da qual muito provavelmente os próprios jornalistas responsáveis pela apuração fazem parte, como co-protagonistas, com perfil e foto à disposição. O Orkut é mão na roda, sem dúvida, para encontrar os tais “personagens” de matérias, para mapear tendências e tal. Mas daí a se tornar a própria roda?

Daqui a tempos, alguém ainda se disporá a sair às ruas por uma história?

Esse post tem um quê de recalque. Explica-se. Este signatário é jornalista mas não está na vanguarda do jornalismo. Isso porque não inclui o Orkut entre suas fontes-para-qualquer-situação. É um orkutcida, ou seja, fez parte da tal rede mas deu o fora dela antes que ela se tornasse sinônimo de medo, vigília e enxaqueca judicial.

Outro dia, alguém me disse:

- Orkut é fato social!

Concordo e faço adendo. Parece ser isso e muito mais - e é aí que mora o perigo. O Orkut está se tornando o que, no jargão jornalístico, se conhece como fonte tipo zero: escrita, com tradição de confiabilidade, sem necessidade de cruzamento de suas informações com a de outras fontes…

Isso, claro, a despeito das marmotagens envolvendo golpes entre usuários de procedência incerta, ações judiciais contra a Google e iminências de quebra de sigilo dos internautas.

A conclusão, relutante, é a de que cada jornalismo tem as fontes tipo zero que merece…