Dos motivos: um show que valha a pena
Entrar um avião para uma cidade grande e desconhecida. Medo? Só se o local de destino não lhe reservar nada de promissor. Aproveite aquela promoção de companhia aérea, junte uns trocados para o ingresso e voilà: você provavelmente terá a receita de um fim de semana bem-sucedido, azeitado, inesquecível.
Foi o que sucedeu com este signatário entre os dias 9 e 11 deste mês. Passagens, bagagens e bobagens para a capital de Minas Gerais, onde só esperava mesmo estar vivo e agasalhado para ver os fabulooooosos suecos The Cardigans (sonho de uma vida!), no último show de sua turnê de divulgação do disco Super Extra Gravity (2005).
Veni vidi vici, já dizia o general romano Júlio César. Pois fui comandante de minha própria tropa (apenas eu mesmo!) por alguns dias. Deu tudo certo: fui lá, vi e me senti vitorioso. Voei de avião pela primeira vez sem traumas, não me perdi, conheci gente bacana. E o principal: fui testemunha ocular de um showzão, por enquanto o top 1 da minha vida.
Os Cardies podiam até estar cansados, mas não transpareceram. E olhe que os vimos bem de perto: a arena semi-vazia foi prato cheio para os fãs que, incessantemente, registravam incrédulos o momento.
A apresentação enxuta, até pequena, talvez tenha sido a única rubrica de que os suecos queriam mesmo era sombra e água fresca. Mas, durante a hora e pouco em que se apresentaram, a casa caiu mesmo, para o bem.
Nina Persson (vocal), Peter Svensson (guitarra), Bengt Lagerberg (bateria), Magnus Sveningsson (baixo), e Lasse Johansson (teclado), desfilaram exatas treze músicas no Chevrolet Hall. Faltaram muitas, milhares, aquela do primeiro disco, aquela outra que bomba, e também aquela… Mas algo incompleto pode ser perfeito? A julgar pelo que vi, ouvi (e co-participei), sim!
Estavam lá a graça, a simpatia, o peso de certas canções mantido intacto… A veia pop, que não tem medo de destoar ou parecer cruel de vez em quando. A voz doce de Nina, que canta surpreendentemente bem ao vivo. Tudo na medida. Sem grande espalhafato nem pirotecnia. Era boa música pop, e só. Pra quê mais?
Top 5 - Cardigans em BH, 9.9.6
1. Tocaram “Erase and Rewind”, “Hanging Around” e “For What It’s Worth”
Sou fã de carteirinha dessas canções, que embalaram momentos, piadas internas e vibes bacanas na minha vida. Ao ouvir os primeiros acordes, parecia que um pedido havia sido atendido ao vivo.
2. Ver desejos de fãs atendidos
O bom de um show medianamente lotado é que você esbarra a toda hora com gente sortuda, iluminada. Vi autógrafos, set lists originais, palheta de guitarrista, e fotos exclusivas (tipo o Magnus posando only for Neto, que aliás fez fotos de profissional). Hey guys, não vou ficar reclamando porque não aconteceu comigo. Já era lucro demais eu estar lá!
3. A vibe
Tranqüila, segura, ótima, em boa companhia! Até o sanduíche tava barato na cantina do Chevrolet Hall. Poder voltar a pé pra “casa”, tentando reconstituir cada momento, é muito bom.
4. Encontros casuais
Sim, John e Fernanda do Pato Fu estavam lá. I catched them! Também Grazielle Massafera, ex-BBB, mas com essa não rolou foto!
5. A “ressaca”
Parece que o show durou um dia inteiro. Ainda hoje, quase 10 dias depois, me pego assoviando acordes das músicas, relembrando a entrada ao som the “In The Round”, e tals. Acho que voltei de BH mais emotivo!
Pelos meus olhos: 10 segundos de “I Need Some Fine Wine…”