Archive for Setembro, 2006

Váginas da vida

Quarta-feira, Setembro 27th, 2006
Achado. Tudo o que você queria saber sobre a eterna namoradinha do Brasil com medo e não tinha coragem de perguntar. Medo, luxúria, obsessão e depilações pubianas de Regina Duarte postos a nu.

A vicissitude de amar: Regina e Bob CarlosA façanha é obra de um blog (por assim dizer, já que a coisa funciona mais como uma página pessoal muito da nonsense) que nos mata de rir ao expor a “real” Regina. Neuras mil, achaques e requebros de velhota mal-passada e mal-amada, nada parecida com a mocinha das novelas.

“Meu Nome é Regina”, claro, é só mais uma piada da internet. Mas quem dera que a pentelha La Duarte fosse assim mesmo!

Amostra - Regina faz as honras

“Meus amores! Eu sou fofa. E vocês também! Bem-vindos ao meu blog. Aqui vocês vão saber um pouco mais sobre a minha vida profissional, minha filha linda, a conturbada política brasileira, a repercussão do medo e depilações na virilha: como fazer, o sentido correto para puxar os pêlos e cuidados com a higiene íntima. Até mais!”

Onde o nepotismo resiste

Terça-feira, Setembro 26th, 2006
Se deu bem na brecha legal, hein fia?O serviço público chorou, fez manha, rangeu dentes, mas acabou, na maior parte dos casos, expurgando parentes de funcionários em até terceiro grau que circulavam pelos mesmos corredores, na suposta condição de favorecidos pelos laços sangüíneos. Foi o início do fim do tal do nepotismo, que, se ainda grassa em algumas esferas do poder, figura como exceção e não mais como regra, após a articulação de setores diversos - tipo Ministério Público e magistrados.

A mídia privada, tão ciosa da fiscalização dos valores da cousa púb(l)ica, bem que devia se jogar nas mesmas águas de moralização. A começar pela novela das oito! Vitrine geral do comportamento, modos e sassaricos do brasileiro, o folhetim (é, o global, mesmo) também é coisa pública, por que não? Pelo menos, é de domínio público.

Bota o irmão, uai, que sempre tem espaço!Daí que seria de fundamental importância aplicar as resoluçõezinhas que nortearam a debandada da parentela no Judiciário e no MP também no casting das tramas. Isso evitaria, por exemplo, a constrangedora teia que se formou em torno em Páginas da Vida. É diretor que emprega a namorada, que consegue “recolocar” o irmão!

Nepotismo duplo! Nomes aos bois: Jayme Monjardim - o tal diretor, que já havia tirado da fila do Sine a ex Daniela Escobar -, emplacou a parceira, Tânia Mara, cantando a in-su-por-tá-vel “Se Quiser”, na trilha dos descolados Isabel (Viviane Pasmanter) e Renato (Caco Ciocler). Não satisfeitos, trouxeram como bonus track o irmão de Mara, Rafael Almeida, para ficar de chamego com Gisele, personagem de Pérola Faria.Alô Ministério Público! Alô Terezinha!

Já que a trama dispõe de uma promotora de Justiça - no caso, a Tereza de Renata Sorrah -, bem que podia ser feita a vontade da lei: exoneração neles! Pena que o personagem de Rafael, na trama, é filho da promotora!

Top 5 - Casos de nepotismo no folhetim, que sempre acabam em separação/briga, por que será? Abaixo, casos de sub-atrizes que tiveram a mãozinha do maridão diretor:

- Flávia Alessandra e Marcos Paulo

- Helena Ranaldi e Ricardo Waddington

- Denis Carvalho e Deborah Evelyn

- Jayme Monjardim (ele não se cansa) e Daniela Escobar

- Regina Duarte e Gabriela Duarte (representando todas as dobradinhas pãe-filho(a)

P.S. Na vida real, ainda persiste o chamado nepotismo cruzado: fulano manda parente para outro órgão, enquanto “recebe” em troca o favorecido de outro fulano, em sua própria unidade de trabalho. O vai-e-vem das queridinhas de diretor denuncia, entre atrizes e cantoras: só tem isso nas novelas também!

Faço muito gosto II: Belô em flashes

Sexta-feira, Setembro 22nd, 2006
Das surpresas: terra de gente amável

Cidade grande nenhuma é perfeita. Tem-se pressa, sujeira, má educação e confusão elevadas ao cubo. Belo Horizonte tem seus lampejos de metrópole imbecil, mas que sabe acolher o visitante, lá isso sabe.

Diria que 99% das informações pedidas foram dadas com exatidão, sem estresse nem cara feia, e em alguns casos com bônus amáveis. Para mim foi o fim do mito da eterna desconfiança mineira.

Dois causos ilustram a vibe local. O da senhorinha do Mercado Central que fez questão de me levar a um box de vendedor de panelas de pedra-sabão, e o da atendente de shopping que não se aquietou enquanto não me deixou na porta do caixa eletrônico que procurava - com o detalhe de que, nesse percurso, carregou metade do peso das minhas nada leves compras de turista (panela de pedra sabão no meio!)

A cidade te deixa rindo à toa. Centro de BH.O belorizontino dificilmente lhe nega aquela sacolinha extra para carregar as tralhas; dificilmente deixa de mostrar algum interesse pelo que você está fazendo ou é; e raramente lhe dá dicas inúteis.

Até na volta pra casa o savoir faire das Gerais se fez notar: foi rapidinho que uma mineira, radicada em Madri e que para lá voltava, puxou papo comigo sem quê nem por quê. Solange, a tal mineira, não podia ser mais agradável. Não ficou me medindo de alto a baixo, não encrencou com os poucos anos que aparento nem se vangloriou da vida que leva - ela acomodou os pais nos arredores da Pampulha, onde palacete com escultura no jardim é casa simples.

Engatou uma conversa de primeira - para um saguão de aeroporto - sobre gastronomia e pontos turísticos da Capital. Tudo nela passava sobriedade, de um lado - traço que é bem deles - mas genuinidade total de outro.

Deu até dicas - ato que passei a considerar a marca registrada deles - de locais para provar de uma boa comida típica. Sim, da próxima vez vou ao Xapuri e registrarei meu agradecimento à emigrante simpática - em nome de todos os mineiros bacanas com quem esbarrei.

Faço muito gosto: Belô em flashes

Segunda-feira, Setembro 18th, 2006
Dos motivos: um show que valha a pena

Entrar um avião para uma cidade grande e desconhecida. Medo? Só se o local de destino não lhe reservar nada de promissor. Aproveite aquela promoção de companhia aérea, junte uns trocados para o ingresso e voilà: você provavelmente terá a receita de um fim de semana bem-sucedido, azeitado, inesquecível.

Foi o que sucedeu com este signatário entre os dias 9 e 11 deste mês. Passagens, bagagens e bobagens para a capital de Minas Gerais, onde só esperava mesmo estar vivo e agasalhado para ver os fabulooooosos suecos The Cardigans (sonho de uma vida!), no último show de sua turnê de divulgação do disco Super Extra Gravity (2005).

Veni vidi vici, já dizia o general romano Júlio César. Pois fui comandante de minha própria tropa (apenas eu mesmo!) por alguns dias. Deu tudo certo: fui lá, vi e me senti vitorioso. Voei de avião pela primeira vez sem traumas, não me perdi, conheci gente bacana. E o principal: fui testemunha ocular de um showzão, por enquanto o top 1 da minha vida.

Eu mesmo propriamente, com Nina Persso, crooner dos Cardigans, ao fundoOs Cardies podiam até estar cansados, mas não transpareceram. E olhe que os vimos bem de perto: a arena semi-vazia foi prato cheio para os fãs que, incessantemente, registravam incrédulos o momento.

A apresentação enxuta, até pequena, talvez tenha sido a única rubrica de que os suecos queriam mesmo era sombra e água fresca. Mas, durante a hora e pouco em que se apresentaram, a casa caiu mesmo, para o bem.

Nina Persson (vocal), Peter Svensson (guitarra), Bengt Lagerberg (bateria), Magnus Sveningsson (baixo), e Lasse Johansson (teclado), desfilaram exatas treze músicas no Chevrolet Hall. Faltaram muitas, milhares, aquela do primeiro disco, aquela outra que bomba, e também aquela… Mas algo incompleto pode ser perfeito? A julgar pelo que vi, ouvi (e co-participei), sim!

Estavam lá a graça, a simpatia, o peso de certas canções mantido intacto… A veia pop, que não tem medo de destoar ou parecer cruel de vez em quando. A voz doce de Nina, que canta surpreendentemente bem ao vivo. Tudo na medida. Sem grande espalhafato nem pirotecnia. Era boa música pop, e só. Pra quê mais?

Top 5 - Cardigans em BH, 9.9.6

1. Tocaram “Erase and Rewind”, “Hanging Around” e “For What It’s Worth”
Sou fã de carteirinha dessas canções, que embalaram momentos, piadas internas e vibes bacanas na minha vida. Ao ouvir os primeiros acordes, parecia que um pedido havia sido atendido ao vivo.

2. Ver desejos de fãs atendidos
O bom de um show medianamente lotado é que você esbarra a toda hora com gente sortuda, iluminada. Vi autógrafos, set lists originais, palheta de guitarrista, e fotos exclusivas (tipo o Magnus posando only for Neto, que aliás fez fotos de profissional). Hey guys, não vou ficar reclamando porque não aconteceu comigo. Já era lucro demais eu estar lá!

3. A vibe
Tranqüila, segura, ótima, em boa companhia! Até o sanduíche tava barato na cantina do Chevrolet Hall. Poder voltar a pé pra “casa”, tentando reconstituir cada momento, é muito bom.

4. Encontros casuais
Sim, John e Fernanda do Pato Fu estavam lá. I catched them! Também Grazielle Massafera, ex-BBB, mas com essa não rolou foto!

5. A “ressaca”
Parece que o show durou um dia inteiro. Ainda hoje, quase 10 dias depois, me pego assoviando acordes das músicas, relembrando a entrada ao som the “In The Round”, e tals. Acho que voltei de BH mais emotivo!

Pelos meus olhos: 10 segundos de “I Need Some Fine Wine…”

O poderoso chefão

Segunda-feira, Setembro 4th, 2006
Há três lados em toda história. O meu, o seu e a verdade. E nenhum é falso. Memórias divididas servem a cada parte de forma diferente.

Robert Evans

Seduzir mulheres, executivos e platéias. Magnetizar segmentos tão distintos era tarefa cotidiana para o ator frustrado e produtor de cinema nada frustrado Robert Evans. Ofício que ocupava quase todas as 24 horas de seu dia. O tempo dispensado se revelou compensador: teve as companhias femininas que quis, deu gordos lucros a seus superiores e renovou o filme norte-americano, fazendo-o comunicar - com ousadia e verossimilhança - a novas fatias do público.

Evans surgiu para este signatário em pleno zapping na TV aberta numa noite de sexta-feira. Em imagens de arquivo bem-editadas, e memorável trilha sonora de época, o produtor era apresentado na cinebiografia “O Show Não Pode Parar” (The Kid Stays in The Picture”, 2002, EUA, 92 minutos). Na forma de um documentário narrado totalmente pelo próprio Evans, repassa-se não apenas seu legado fílmico, mas a consolidação de uma nova era, entre os anos 60 e 70, no cinema dos EUA.

Evans foi de ator canastrão a midas da indústria cinematográficaMeio que já tinha ouvido falar de Robert Evans. Sabia que o papel de Dustin Hoffman no bacaníssimo “Mera Coincidência” era uma caricatura do tal produtor (aliás, nos créditos de “O Show” Hoffman aparece imitando Evans). Achava, no entanto, que Evans era apenas um porra-louca alimentado pelo ciclo contracultural aspirado em terras americanas.

Bob Evans estava mais mais para um dândi com talento descomunal para persuadir. Não foi de outra forma que ele conseguiu, quase de uma hora para outra, apagar uma carreira discreta como ator e ex-vendedor de lingerie e passar a pilotar a criação de novos projetos na Paramount Pictures - empresa que amargava o nono lugar dentre os estúdios de Hollywood, esta imersa em crise geral devido à queda de renda dos filmes.

Ao tempo em que tirou da fossa a empregadora, Evans foi se tornando referência obrigatória nos caderninhos de telefone de senhoritas e senhoras de Los Angeles, embora fosse um workaholic inveterado.

Ele conciliou tanto hits de apelo popular - como “Love Story”, aquele da famigerada frase “amar é nunca ter que pedir perdão” - com pedras fundamentais do que se pode considerar cinema novo americano: “O Poderoso Chefão” (1972), “O Bebê de Rosemary” (1968) e “Chinatown” (1974).

Até ali, a bilheteria de Hollywood era garantida por musicais e dramas edificantes.

Seu estilo de trabalhar era não linear e imprevisível. Se fundava em intuição apurada e ousadias. Desde dar carta branca a Roman Polanski - então apenas um desconhecido polonês - para dirigir “Rosemary”, a apostar as fichas num projeto como “Chinatown”, tido e havido como ininteligível e infilmável em Hollywood.

Por Coppola, passou como um trator, após ter sido esnobado pelo diretor de origem italiana que imaginava à frente de “O Poderoso Chefão”. O copião inicial do épico mafioso foi implacavelmente detonado por Evans, que queria - pasmem - uma hora a mais de projeção no longa.

Em 'O Show Não Pode Parar', o produtor não foge de episódios constrangedores“Volte e me traga uma saga familiar!”, disparou.

A exigência e as idiossincrasias de Evans fizeram a diferença no cinema dos anos 70. Basta somar as indicações a Oscar, Globo de Ouro e outras premiações obtidas pelos filmes que idealizou, ao reconhecimento, amplo e atemporal, dado a essas obras.

Ia tudo muito bem com o garoto de ouro da indústria cinematográfica até afundar seu casamento com a bela Ali McGraw, estrela de “Love Story”. Lá pelos anos 80, cedeu a más influências e viciou-se em cocaína, chegando ao cúmulo de ter de fugir de uma clínica de reabilitação. Tudo isso é contado por ele, no documentário, como quem se reporta a um bom amigo.

Nos anos 90. ensaiou um ressurgimento, mas oscilou entre a bobagem e o descartável. Produziu filmes como “Invasão de privacidade”, “O Santo” e mais recentemente “Como Perder um Homem em 10 Dias”.

Ainda que sem o brilhantismo de outrora, Evans ficou para contar a história. Ficou na história. Além do que tornou muito melhor minha última noite de sexta-feira!